destruicaoO dia do Senhor está próximo!

Estamos no final de mais um ano e final de ano é sempre tempo de graça e crescimento. A Liturgia desta semana procura nos oferecer elementos para a nossa reflexão e revisão de vida que devemos fazer a cada instante e principalmente no final de ano. O que é o mais importante na vida? O que realmente deve ser escolhido pelo cristão? O que realmente fica? A salvação da vida vem pela fé e perseverança. Então é tempo de prestação de contas a Deus que vem constantemente para julgar os vivos e os mortos. O tempo é de esperança e não de ilusões. A ilusão vem pela contemplação da grandiosidade e beleza do Templo. Jesus não está preocupado com a beleza do templo mais sim co  a possibilidade de tudo vir a ruir. Ele está preocupado com o Templo construído com pedras vivas. Jesus profetiza dizendo que não ficará pedra sobre pedra e que a sobrevivência acontecerá pela perseverança. esta liturgia colocada no fim de mais um ano é justamente para nos lembrar da finitude de todas as coisas. Diante dos acontecimentos cada pessoa é chamada a tomar uma posição. A própria palavra crise quer dizer julgamento. A coerência com o projeto de Jesus torna a crise em um dia de salvação.

A primeira leitura, Ml 3,19-20, é um chamado para a visão de uma condenação para o perverso e um alivio para o justo. Este é o motivo pelo qual se deve seguir o projeto de Deus. Este dia chega como o fogo que ilumino o caminho aquece o que é bom mais queima o mal. Podemos usar o fogo segundo a nossa vontade. Assim o Apocalipse não é uma destruição de tudo e de todos mais a realização de cada coisa segundo a nossa escolha.

A segunda Leitura, 2Ts, traz presente a realidade do retorno de Cristo que era visto como algo eminente. Esta volta de Jesus não deve levar a pessoa ao trabalho incansável pela bem e pela justiça. Havia alguns desvios de conduta de pessoas que pelo fato de Jesus estar voltando não precisa e não adianta fazer nada. A esperança da salvação, segundo esse grupo, deve levar as pessoas a preocupação com as coisas do céu e não as da terra, deste mundo. Paulo dá o exemplo de seu trabalho para construir o Reino já aqui e não ficar só esperando o do céu esquecendo e relativizando a terra, nossa casa comum.

O Evangelho, Lc 21,5-9, Fala da destruição do Templo como um verdadeiro fim de mundo, pois foi um fim de mundo para eles naquela época. Jesus diz que vai escapar da destruição aqueles que ficarem firmes em sua opção.  É importante olharmos a história. Nestes tempos Jerusalém passava pela dominação romana. A dominação trazia altos custos ás famílias com impostos e tributos e ainda mais havia o pesado imposto religioso pago ao templo. Muitas famílias ficaram endividadas e não conseguiram sobreviver. Esse fato levou a aparecer várias quadrilhas de assaltantes e bandidos roubando e pilhando para sobreviver. Não pagar o estado e o templo gerava a escravidão. para não tornarem-se escravos muitos partiram para a pilhagem. Uma caravana que transportava alimento e dinheiro para Roma foi assaltada e isso aconteceu muitas vezes e Roma não podia ficar quietinha mais precisava acabar com a brincadeira. Soldados que estavam servindo o império na Assíria foram enviados á Palestina para reforçar a segurança. Isso foi motivado pelos assaltos constantes e pela invasão de Jerusalém por parte desses bandidos para queimar os documentos onde estavam registradas as suas dívidas para com o estado. Isso tudo no ano 66. Até o ano 70 todos os focos de rebeldes foram controlados, assassinados e como consequência disso foi a destruição de Jerusalém. A guerra sempre leva a destruição e condenação de inocentes para punir os culpados. Os líderes dessas quadrilhas se davam o título de messias, pois estavam aí para libertar o seu povo do jugo romano. Aqui aparece Jesus dando instruções aos seus discípulos para não tomar partido e permanecer firme no projeto de Jesus e não dos homens, pois ele é o verdadeiro libertador. Não é pela violência que se chega a paz. Não fazer o jogo dos malvados romanos mais também não ficar acomodado diante desses desmando. O discípulo deve lutar mais com a força de Cristo e não com meras forças e motivações humanas. Essa luta contra a exploração, que coloca a vida humana em perigo. leva á perseguição seja do império ou dos próprios judeus. estar ciente e pronto que a perseguição vai acontecer. É importante ao cristão estar do lado da justiça e construir a paz que muitas vezes vem pela guerra contra o inimigo da vida.

Diante dessa liturgia podemos perceber a nossa realidade onde muitos pregam o final do mundo eminente pelos acontecimentos de cada dia, principalmente os não muitos bons, ou seja as catástrofes. O final do mundo como algo que ninguém quer ver pois vai morrer de medo, de pavor. Há muitos que apostam nessa religião, a do medo. A crise pode ser dura mais deve ser enfrentada, olhada e pregada pelo cristão como o fim de um mundo para o ressurgimento de outro. Por mais dolorosa que seja a crise ela é um novo começo, a abertura para novos horizontes. A cada momento um mundo está acabando e outro recomeçando. O importante é saber ler os sinais dos tempos e assim estar sempre preparado para um novo começo. Não podemos ter medo da novidade ou até mesmo de sair de nossa zona de conforto. O nosso ditado popular já diz isso: Quando se fecha uma porta sempre se abre uma nova janela. O mundo velho está acabando e um novo mundo começa na vida nova que brota e novos horizontes que se abrem. Assim nossa esperança leva a crer que a cada porta que se fecha duas se abrem. Não podemos ficar omissos, pois a intervenção final é de Deus que está em nós. Desistir, se deixar levar pela preguiça, procurar outra Igreja, etc. não leva a mudar o que verdadeiramente precisa ser mudado, o nosso coração, a nossa vida.

Ótimas Celebrações a todos!!!

P. Sebastião de Oliveira Silva