Estamos na última semana da Quaresma e é importante para nós a preparação bem feita para as celebrações que se aproximam, de modo especial o Domingo de Ramos. Vamos entrar com Jesus na nossa Jerusalém de hoje. Este roteiro quer ser uma ajuda para os coordenadores de grupos bíblicos de reflexão e para todos aqueles, que de alguma forma, estão envolvidos na preparação da Liturgia deste dia.

Humilde e obediente até a morte, e morte de Cruz. As leituras deste Domingo de Ramos destacam a humildade como fundamento da obediência. O ser humilde significa despojar-se do orgulho. É tornar-se uma pessoa integrada, que sabe lidar com todas as coisas e situações de forma harmoniosa. O orgulho desarmoniza, faz pessoas, idéias, objetos e situações ocuparem o lugar de Deus na vida do ser humano. tornando-o escravo de um ídolo. A palavra obediência, nos idiomas antigos quer dizer “ob+audire”, isto é: ouvir, prestar atenção, dar ouvidos. A obediência de Jesus ao Pai significa, antes de tudo, que ele levou ao pleno cumprimento o projeto de amor do Pai para com o ser humano. Diante da cruz e nos demais momentos cruciais de sua vida ele não voltou atrás no que ensinou e no que mostrou na própria vida a respeito de Deus e de seu reino de fraternidade universal. nem mesmo a tortura da cruz o fez desistir de mostrar ás pessoas quem é o Pai e qual é a proposta dele acerca do ser humano. É neste sentido que a cruz de Cristo é sinal de humildade e de obediência.

O Evangelho proposto para este dia, Lc 22,14-23,56, mostra que a Paixão de Jesus tem a sua antecipação no relato profético da Ceia. Chegada a hora da sua volta para o Pai, Jesus senta-se á mesa com os seus. Está última refeição revela e prefigura a sua entrega ao Pai concluindo assim a sua missão neste mundo. Este é o motivo pelo qual esta ceia é cheia de significado. A morte de Jesus não é um fracasso, um caminho sem saída, mais sim a inauguração de um novo tempo de paz e plena salvação operada por Deus na história humana. É a manifestação do reino de Deus que é justamente a justiça e a fidelidade. Este é o momento mais alto, o cume de toda a pregação de Jesus desde o inicio que agora se realiza em sua plenitude. A palavra que brota de seus lábios é que ele desejava ardentemente por esse momento. Acontece aqui a restauração da humanidade decaída. A presença dos discípulos na ceia é justamente o sinal de que eles também, a partir desse momento, estão inseridos no destino de Jesus e serão os continuadores da obra salvífica pelos séculos afora. A certeza de que assim agindo eles estarão antecipando a realeza de Deus na história. Após a ceia Jesus vai pra a montanha, entra em estado de vigilância e oração ao Pai fonte de sua e princípio de seu ministério. Ao vislumbrar o destino que o aguarda ele recorre, como sempre, ao Pai pedindo que afaste o cálice do sofrimento. O amor o faz colocar-se nas mãos do Pai e permanecer fiel até o fim. Este amor o leva a enfrentar com firmeza aqueles que o capturam, enfrenta a traição de Judas, a negação de Pedro, a dor e a humilhação infligida a ele por aqueles para os quais o Pai o tinha enviado: o seu povo. No tribunal. o Sinédrio, Ele é rejeitado de forma definitiva pelos líderes de seu povo. O filho do homem foi rejeitado, desprezado e humilhado, mais agora é o Pai que vai glorificá-lo como messias-rei. esta glorificação é que tem um valor verdadeira. A condenação acontece apesar das autoridades políticas saberem que ele é inocente pois pelas lideranças religiosa ele já havia sido condenado. Jesus é entregue a morte acusado de rebeldia e subversão. Esta condenação mostra a total rejeição ao projeto de Deus e sua implicância no mundo. A morte de Jesus acontece no final de uma série de infidelidades e rebeliões obstinadas contra o projeto de Deus ao longo da história. No caminho da cruz, Jesus deixa entender que, na sua morte violenta, se decide o destino do povo de Deus e da humanidade. Jesus é crucificado entre malfeitores mostrando que ele veio para buscar e salvar o que estava perdido e agora está entre eles partilhando a mesma sorte. A fidelidade ao amor do Pai leva Jesus não perder mais salvar a vida, este é o rosto da misericórdia de Deus. A solidariedade de Jesus com aqueles ladrões leva a salvação pelo anúncio da Palavra a eles que manifestam o reconhecimento de sua inocência e proclamam a total confiança na salvação no hoje da história, nem mesmo esses Jesus perdeu. Na cruz, onde tudo parecia estar perdido, Jesus ainda encontra forças para anunciar o amor do Pai e dá a salvação aqueles que se convertem e crê em sua palavra. Após a sua morte, a ação de Deus é reconhecida pelo centurião ao proclamar que Jesus era um homem justo. A morte de Jesus proclama a vitória da vida e faz essa vida explodir nas almas e nos corações, pois não é uma morte é apenas uma passagem que aponta para algo bem mais importante que isso: Aponta para o que vai acontecer no primeiro dia da semana!

BOAS CELEBRAÇÕES A TODOS!

UMA ABENÇOADA SEMANA.

P. Sebastião de Oliveira Silva