advento

Estamos iniciando o Advento. Este é para nós um tempo de graça. Não é apenas uma preparação para o Natal. O comércio, que não perde tempo, já está se preparando e faz tempo.

Advento significa vinda, chegada. É o tempo de celebrar as três vindas do Senhor. A primeira aconteceu na história, a segunda no agora e a terceira na glória.

São quatro domingos que celebraremos o Cristo que veio na história e encontrou a humanidade muito preocupado com o ter, fazer e ser que não perceberam a sua chegada. Aqueles que estavam vigilantes perceberam a sua chegada e glorificaram a Deus pela sua presença no meio de nós como o Emanuel. Glorificaram a Deus com a própria vida.

O entregar a vida pela causa do Reino é o que concretiza e realiza a segunda vinda do Senhor. Esta é a sua chegada sorrateira, discreta, humilde e até mesma escondida para alguns entre nós. As preocupações da vida, com o ter, ser e o poder é que tornam as pessoas cegas para a sua chegada. Ele vem através da vivencia coerente dos Sacramento, de forma especial na Eucaristia. Ele vem diariamente ao nosso encontro naquelas pessoas que aparecem do nada em nossa vida.

Jesus vem pela segunda vez todos os momentos em que alguém se aproxima de mim, principalmente nas pessoas mais vulneráveis que Deus coloca em nosso caminha. Esta segunda vinda é que pode não ser percebida, até mesmo em nome da própria religião.

A terceira vinda, na glória, acontecerá no dia em que nós nos despedimos deste mundo e o Senhor aparece nas nuvens com glória e poder para nos transportar para a eternidade. Este é o motivo pelo qual celebramos a primeira vinda, vivendo a segunda em preparação para a terceira vinda do Senhor.

Todo o acontecimento, como a destruição de Jerusalém, grande ou pequeno deve ser considerando como vinda do Senhor. Em tudo o que acontece ele está vindo ao nosso encontro. Ele vem para nos mostrar novos caminhos e nos trazer novas esperanças. Ele lança diante de nós novos desafios e nos pede novas atitudes, uma nova resposta, pois os momentos são novos. Atender esses apelos é estar pronto para o encontro final.

Isaías, 2,1-5. A montanha da casa do Senhor, nesta Liturgia, significa o lugar do encontro com Deus, ou seja a comunidade de fé que se torna a presença de Deus no mundo, atraindo todas as nações para Cristo. Todos vão a procura da vida, da paz, pois isso é o que a comunidade ensina pela sua própria vida. Na prática isso significa transformar as armas de guerra em instrumentos de trabalho para alimentar a vida de todos. Transformar as espadas em bico de arado e as lanças em foice. Mudar a força destruidora em força construtora. O profeta está projetando essa nova comunidade, a partir de Cristo, como aquela que vai viver a harmonia universal e a paz em vista de um futuro melhor, os últimos tempos. O futuro que não é o final de um planeta, ou da terra, mais sim um futuro que se torna presente.

Romanos 13,11-14. A Comunidade cristã de Romas, mesmo que pobre vivia na capital onde as possibilidades são muitas. Ali não havia limites para o consumo e o gazar a vida. O convite do Apóstolo é para que os cristão não caiam na tentação. Quanto mais difícil uma coisa o sabor da vitória é melhor. Estavam vivendo no tempo de Nero, um dos maiores perseguidores do cristianismo. Então quanto mais escura é a noite é sinal de que está perto o clarear do dia. A solução do problema está mais perto ou mais longe dependendo do grau de dificuldade. É preciso estar acordado para o amanhecer, para o novo dia. Quem dormir em pleno dia poderá não perceber o que de novo ele oferece. Dormem aqueles que não tem esperança e nem confiança que o dia que nasce pode ser novo. A noite o que reina é as trevas e tudo o que ela representa, o dia é o Reino da luz. Este é o motivo que se diz que o cristão não cochila nem dorme no ponto mais é aquele que está sempre vigilante.

Mateus 24,37-44. Neste trecho do Evangelho que é nos apresentado para a liturgia de hoje Jesus mostra a necessidade de vigiar sempre, pois não sabemos a hora de sua chegada. A chegada de um novo dia pegou o povo de surpresa no tempo de Noé. Ninguém se interessou pela arca, pois não imaginavam que a vida seria interrompida. Enquanto criticavam sua louca ação foram levados pelas águas do dilúvio. Precisamos estar ligados no projeto de Deus sempre, seja dentro da casa, no moinho ou no campo. A destruição de Jerusalém agora é vista como o momento do encontro com Cristo e não mais como um fim de mundo. Entender a morte e a destruição como essa possibilidade nos enche de santa alegria e de fé. O final de tudo é inevitável, estar pronto é uma necessidade. Não ficar tão preocupado com o futuro a ponto de esquece de viver o presente. Jesus havia falado do belo exemplo das plantas que quando começam a brotar e florir é sinal de que é primavera e o verão, tempo dos fruto, está perto. A destruição de Jerusalém foi um desfecho normal pela falta de atenção com Deus e com o próximo. Ela foi até necessária para que um novo mundo pudesse nascer. A dificuldade de ser cristão é o sinal que os frutos estão aparecendo e com eles também as pedras, perseguições e combate. Um mundo obsoleto e ultrapassado quando está morrendo reage e dificulta o nascimento do novo mundo. Jesus ainda oferece a comparação do ladrão que ninguém sabe o dia e a hora da chegada do danado. Estar acordados pois não somos nem das trevas e nem da noite.

Concluindo, podemos dizer que o grande desafio, o grande inverno do mundo de hoje é uma ordem social violenta, de pura competição, que explode em acontecimentos trágicos, mais isso está no coração da sociedade e no coração das pessoas.

A comunidade que não perde o foco em Jesus é aquela que transforma as armas em instrumento de trabalho, mudando as forças de destruição em força de construção, de trabalho. Deixar a violenta guerra da competição e partir para o trabalho.

Esta comunidade se torna luz para as demais é como um ponto de referência, uma luz na montanha. Está dormindo quem não tem esperança num mundo novo, em dias melhores. Faz da sobriedade um instrumento de partilha. O fim é certo e só Deus sabe quando. Por isso estejamos acordados sempre.

 

Boas Celebrações a todos!!!

P. Sebastião de Oliveira Silva.