Anunciada a traição agora ela acontece. O mais curioso é que não é exatamente um inimigo que vai provocar o destino fatal de Jesus, mais sim um discípulo que estava com ele o tempo todo. Ele toma a decisão de abandonar o projeto de Jesus e fazer a opção pelo dinheiro. Trinta moedas de prata é o que se pagava na compra de um escravo. Ele é vendido como escravo no coração de Judas. Tudo acontece na refeição da Páscoa, na ceia. Judas Escariotes começa então a procurar uma forma de entregar Jesus. A trama está feita. O projeto tinha tinha se arquitetado no coração e na mente. O que se arquiteta na mente é grave e tem a marca do pecado, muito mais que do que acontece por impulso da natureza. O que aconteceu naquela mente e naquele coração? pois ele tinha partilhado da mesma mesa, serviu-se do mesmo prato. Tinha partilhado do gesto de carinho e amizade de Jesus pois tinha colocado a mãos no prato com ele e recebido o pedaço de pão umedecido. Jesus mostra não ser indiferente com tudo isso , valoriza a pessoa mesmo sabendo das suas intenções verdadeiras. Apenas se comove e  lamenta tamanha ingratidão e diz que seria melhor Judas não ter nascido se o final escolhido é esse. As profecias se cumprem, Jesus é entregue, como diz as escrituras. A traição do projeto de Jesus acontece por aquele que não serve e senão serve para viver corre para a morte. Judas ainda usa de ironia com Jesus perguntando se seria ele o traidor e é confirmada, pois ele conhecia aquele coração e aquela cabeça que ironiza e desrespeita o próprio Deus. O abismo chama outro abismo e ele colhe aquilo que planta, a morte. A maldade é concebida e ele dá a luz á mentira. 

Assim chegamos a esta Quarta-Feira Santa. O trecho de Mt 26,14-26 é a opção fundamental que leva á morte. A Liturgia nos convida a uma profunda reflexão sobre a nossa caminhada. A reflexão sobre aqueles momentos que nossa mente nos convida o trair o projeto de Jesus em beneficio próprio. Traímos o projeto dele todas as vezes que, preocupados com a nossa vida, esquecemos a vida do irmãos. Vendemos a eternidade, a felicidade e a realização plena por momentos de prazer e de realização pessoal. Estamos traindo Jesus quando, egoisticamente, comprometemos a nossa relação com aqueles que estão sempre á mesa conosco. O projeto de Deus contempla a realização de todos, o bem estar de um depende do bem estar do outro, procurar isso separadamente significa não conseguir para ninguém. A riqueza de saber valorizar cada um na sua individualidade não deixa se perder tempo arquitetando projetos de promoção pessoal esquecendo do fundamental. A vida só tem graça quando se tem com quem partilhar as coisas belas que ele nos oferece. Aquele que está com Jesus uma vez corrompido é um traidor maior,pois conhecendo o que é certo faz a opção pelo errado. O pecado consiste justamente nisso: a pessoa faz o errado de forma consciente e planejada, arquitetada. A desgraça é certa e com ela a perda do sentido da vida. A traição trás consigo a certeza de que não vale apena viver se for para estar sempre insatisfeito e infeliz. A morte acaba sendo a cura pra esse mal. Abracemos com alegria a cruz de Cristo, o seu projeto e assim viveremos a alegria verdadeira reservada para os filhos.  

UMA ÓTIMA QUARTA A TODOS!

HOJE É O DIA DA MISSA DA UNIDADE DIOCESANA, VAMOS PARTICIPAR!

P. Sebastião de Oliveira Silva